Mais cartas
“O tempo passa e a gente continua buscando enredo em outros sambas que não aquele que a gente nasceu pra dançar. Histórias que a gente não vive, imersos em tanta não-ficção. E quando acha uma verdade estonteantemente forte a gente se agarra, como aos braços de nossas sempre mães. Continuamos escrevendo cartas sem destinatários, por mais que o bom senso peça o contrário. Quem sabe alguém um dia leia. Quem sabe alguém um dia entenda essa fórmula de viver dos sonhos, de encontrar poesia onde o racional é rei. Mas o mundo é suficientemente áspero para podar qualquer sentimentalidade. E então é como se vivêssemos duas vidas. Uma é aquela que nós realmente vivemos, obrigados a colocar a esperteza acima de qualquer sentimento que extrapole as guias da etiqueta. A outra é a vida que escrevemos aqui nessas cartas, cheias de entrelinhas e sonhos. Cartas de um remetente só.”
do amigo e poeta querido Fabricio - esse que tem sempre as palavras certas quando a gente mais precisa e que compartilha suas cartas com outros remetentes sós.
rosa passos cantando ‘vestido de bolero’ do caymmi é uma coisa linda de deus!
‘andei por andar, andei, e todo caminho deu no mar. andei pelo mar, andei, nas águas de dona janaína’
hoje é dia de dona janaína iemanjá inaê, rainha do mar. e aproveitando que um amigo está de férias à beira-mar, pedi que ele jogasse oferendas, para que nossa rainha abra nossos caminhos. daqui, mentalizo e peço com todo coração que se, pelo menos, eles não se abrirem, que ela nos guie diante de tanta escuridão. amém. odoiá, iemanjá!



