à noite
andamos por aí até a luz de uma estrela qualquer nos indicar um caminho. claro, não era estrela. nunca é. era o retrato do elvis com luzes que piscam ao seu redor na entrada do bar. mas não faz mal. queremos ser guiados por estrelas mas nunca lembramos de olhar para o céu. deveríamos deixar a tristeza na entrada, mas a levamos até o primeiro copo de cerveja, ou o segundo, talvez. o efeito do álcool no sangue é como heroína pra nós. seja lá como for o efeito dessa. falamos coisas que não interessam nada, a não ser precisamente para serem faladas. é para isso que servem as coisas, para serem faladas por pessoas que entram em bares à noite. a crise na grécia, os shows no brasil, a taxa do dólar, não tá facil pra ninguém, imagina na copa…
alguns minutos antes do bar fechar. se queremos a última cerveja, perguntam. que sim. é sempre que sim. são mais alguns minutos em que a tristeza se esconde num canto qualquer, como um cão abandonado à espera de um lar. as sombras deixam de ser ameaçadoras para tornarem-se penumbras veludosas onde aquecemos nosso inverno do corpo. olhamos o caos de garrafas e copos sujos na mesa e esquecemos da desordem do cenário da vida. são mais alguns minutos para falar de coisas que só servem para serem faladas. e que bom que temos ao menos isso.
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